00:00 - 08/05/2011

Número de acidentes aéreos cresce no ano.

Fonte: www.aeroclubevideira.com.br

Tarso Veloso | De Brasília

A quantidade de acidentes aéreos nos quatro primeiros meses do ano é a maior para o período desde 2008, somando 52 sinistros, sendo 11 fatais, com 28 vítimas. A maior parte dos casos envolveu aviões de pequeno porte (44) e helicópteros (8).

Os dados do Centro de investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) mostram que no ano passado ocorreram936 colisões com aves, 28 incidentes com outros animais em terra, 155 quase impactos e 205 avistamentos - quando aaeronave tem contato visual com algum objeto no ar. As causas são as mais variadas, como perda de controle da aeronave,falha de motor em voo, choque com obstáculo, baixo nível de combustível (pane seca) e falha estrutural.

Os dados do Cenipa preocupam o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). "A fiscalização está precária. Os números são preocupantes. Na aviação grande nós ficamos sabendo das fatalidades pela mídia, mas a aviação pequena continua sofrendo muito", disse Carlos Camacho, diretor de segurança de voo do sindicato.

O Ministério da Defesa prepara uma portaria para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) assuma diretamente algumas ações na área de segurança. Atualmente a agência é responsável pela regulamentação, inspeção, fiscalização, certificação e auditorias. Com a portaria, a Anac passaria a fazer pesquisas aéreas, análises das estatísticas e também tomariaas providências cabíveis para tentar diminuir os casos.

Mesmo antes da portaria, algumas iniciativas já foram adotadas. A Anac criou um sistema de vigilância, conhecido como Simulador de Decolagem DCERTA, que analisa todos os dados da aeronave e do piloto antes de autorizar um voo. Isso evita, por exemplo, que os aviões decolem sem documentação ou que os pilotos trabalhem além do limite permitido.

"O sistema analisa todos os planos de voo das aeronaves, verifica o código Anac, matrícula da aeronave, passa as informações para o controlador, e com isso inibimos irregularidades", disse Ricardo Senra, da Gerência Geral de Análise e Pesquisa da Segurança Operacional da Anac. Grande parte dos acidentes aéreos acontece na aviação agrícola e de instrução. "Não temos um acidente fatal na aviação comercial desde 2007 e estamos trabalhando para continuar assim", disse Senra.

Por ano, a agência recebe 800 mil contribuições no site, boa parte denúncias de anormalidades durante o voo. "Nossa política é responder a todas. Se for anônima, nós disponibilizamos na nossa página a resolução do problema. Se tiver um contato nós damos uma satisfação sobre qual atitude foi tomada", disse Senra.

Para receber relatos, o SNA criou uma ferramenta parecida com a da Anac. Em 13 meses foram 1,9 mil chamadas. "Todas as demandas são encaminhadas para a agência", disse Camacho.

Segundo dados do Cenipa, que dividiu o país em sete regiões, o Estado de São Paulo é o que mais concentra acidentes.

Foram 186 ocorrências de 2000 a 2009, devido ao maior fluxo de aeronaves. Em segundo lugar vem a região Sul, com 129 casos no mesmo período. Em terceiro lugar vêm os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Tocantins, com 125 acidentes. Na quarta posição está a região que contempla os Estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, com 106 sinistros. Pará, Amapá e Maranhão têm 73 casos. A sexta área mais atingida é a região Amazônica com 71 acidentes. Em último lugar está o Nordeste com 60 ocorrências de 2000 a 2009.

O maior número de incidentes acontece devido a colisões com aves, principalmente por causa da aproximação dos pássaros nos aeroportos. Somente em 2010 foram relatados 1.324 casos, maior número desde 2002, primeiro dado disponível no Cenipa. O número, porém, não reflete o total de colisões. O Cenipa calcula receber cerca de 25% dos casos. Nessas colisões, as partes mais atingidas nos aviões, no ano passado, foram os motores, 233 casos, fuselagem (126), asas (115), além de 212 de origem desconhecida.

Segundo Senra, a Anac realiza pesquisas para saber o foco de atração das aves e conversa com as prefeituras para tentar retirar o que as atrai. Em geral, eles são atraídos por matadouros e lixões.

"O perigo aviário aqui no Brasil dá muita despesa para as companhias, mas ele não é um perigo tão grave como é nos Estados Unidos. Lá as aves são maiores e causam mais danos às aeronaves. Apesar de o resultado das colisões não se transformar em catástrofes, esses incidentes são uma preocupação importante para nós", disse Senra

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